Betinho, o herói mirrado: “A Democracia é incompatível com a miséria.”

Por Dr. José Anézio Palaveri

Viveu, sofreu, deu a vida para os pobres mesmo antes de morrer.
Na altura de sua magreza comeu o pão que o diabo amassou durante seus exílios por este mundo a fora...
Vítima da hemofilia por herança, outra vez vítima do sistema de saúde recebendo transfusões de sangue numa época em que os bancos de sangue eram mal fiscalizados recebeu o vírus da AIDS, não só ele, mas seus dois irmãos, o Henfil e o Francisco.
Idealista, ideologicamente de esquerda, sobreviveu à ditadura militar, sem perder seu idealismo. Criando entidades históricas como o IBASE e depois do exílio, sensibilizado pelos pobres e pela fome de muitos brasileiros, conseguiu reunir um grupo de brasileiros, junto com Dom Mauro, bispo de Santo André, em torno da Ação da Cidadania contra a Fome, contra a Miséria e pela Vida, que nos anos noventa reuniu centenas de pessoas em socorro dos pobres tendo conseguido minorar o sofrimento de centenas de brasileiros, mostrando que o Brasil tem jeito.
Foi militante da Juventude universitária católica, e criador da Ação Popular, um dos movimentos que despertaram brasileiros para mudanças e dizimados pela ação da revolução de 1964, mais conhecida como golpe por sua evolução após 1968.
Para conseguir parceiros e despertar jovens para seus trabalhos dava o exemplo do beija flor combatendo o incêndio na floresta.
Nossos jovens e os atuais professores precisam conhecer esta história. Muitos de nós podemos despertar as lideranças para diminuir o sofrimento do povo. Mas parece que seguimos o caminho inverso com as medidas tomadas por nossos políticos e governantes desta década.
Após despertar muitas lideranças mostrando que há muito que se fazer e muito pode ser feito se formos menos egoístas, Betinho foi definhando sem perder as esperanças, morreu magrinho em 1997 e nestas semanas relembramos sua morte, seus sacrifícios após vinte anos.
Em entrevistas históricas ele diz que se assustou quando o presidente Itamar, em 1993, adotou, como política contra a fome, os princípios que ele criou para a Ação da Cidadania. Ele e Dom Mauro participaram até do Conselho de ministros.
Sua pregação: A ação em cima do prato tinha um apelo simples e mobilizador para as pessoas. E conseguiram diminuir a fome e a mortalidade pela desnutrição no período. Mas o Betinho se foi, deve estar torcendo lá do céu para aqueles que ainda olham para os pobres sem preconceitos...
A fome tem pressa, ele continua gritando...
“Há muita diferença entre o viver e o morrer... Agora é com vocês!”

Parece que ainda estou escutando seu grito... Não é possível que alguém ainda morra de fome em nossos tempos, com tantos progressos tecnológicos e tantas lições aprendidas...!

Dr. José Anézio Palaveri, médico, APLACE




O golpe de Estado de 2016: fatores externos

Por Levi Bucalem Ferrari


Durante os debates que antecederam o impedimento da Presidente Dilma Rousseff, a maioria dos que defendiam aquele govrno legítimo utilizavam argumentos de ordem ética, jurídica, de políticas social e assemelhada.  Para estes, não havia motivos suficientes, nem provas que justificassem o ato político-cirúrgico de enorme gravidade no então suposto Estado de Direito brasileiro. Argumentando por essa via, consideravam que sua “razão” os faria vitoriosos; convenceriam população, parlamentares e, em último caso, o Supremo Tribunal Federal. Fazendo pouco caso de Júlio César esqueciam-se da grande máxima imperial: Se vis pacem para bellum. Em outras palavras, praticavam aquela ingenuidade divulgada pelo romantismo e pelos filmes anglo-americanos: vence a guerra quem tem razão.

Alguns poucos destoaram da ilusão preferindo acreditar em Júlio César e em seu descendente direto Niccoló Machiavelli: qualquer disputa política é determinada pela correlação de forças muito mais do que pela razão, mesmo quando a respalda forte argumentação ético-jurídica. Isto considerando, muito antes da efetivação do “impeachment” era possível dar o golpe de Estado como certo.

Outro aspecto digno de nota é o de que nós, brasileiros, temos o costume de olhar demais o próprio umbigo esquecendo-nos do que vai pelo mundo como também de ter uma visão histórica de mais longo prazo. Além de puxar pela memória, busco ler o que se publica lá fora. Enfim, muito me valeu a leitura de Moniz Bandeira, pensador brasileiro que mora na Alemanha e que se dedica hoje mais a questões internacionais. Seus livros A Formação do Império Americano; A segunda Guerra Fria; e, posteriormente, A Desordem Mundial, foram e são valiosos para a compreensão do golpe de 2016, embora não tratem apenas disso.

Bem antes do fatídico agosto de 2016, já se podia saber que EUA, OTAN, e seus mecanismos financeiros e estratégicos queriam “domesticar” o Brasil que, durante os governos de Lula e Dilma, mostravam inequívocos sinais de uma política externa independente, soberana e pouco obediente às potências mencionadas. Além disso, desenvolviam pesquisas próprias e avançadas na área de defesa e conexas; celebravam convênios de cooperação, investiam e comerciavam com países fora do eixo EUA-OTAN. O contexto e a vontade política favoreciam nossos projetos de emancipação tecnológica. E, da mesma forma, nos colocavam como parceiros, e mesmo líderes, junto aos demais países que também buscavam caminhos alternativos.

Internamente, as políticas sociais levadas a efeitos nos últimos anos eram um péssimo exemplo para outros países em desenvolvimento porque havia o perigo de que muitos deles pudessem querer nos imitar. Também essas política criaram uma predisposição de nossas elites sempre amedrontadas e preconceituosas com a ascensão das classes subalternas. Ninguém tomou a casa ou o automóvel de ninguém, mas o fato de os “servos da gleba” terem seu próprio automóvel ou sua casa era o bastante.

Juntados os fatores de política interna e externa mencionados acima e outros dos quais se falará, o Brasil passou a merecer a atenção do Império e potências aliadas que buscaram, em aliança com nossa mídia comprável e nossas elites neocoloniais, realizar a "primavera" brasileira, a exemplo do que foi feito e se estava a fazer em diversos países do mundo, como se estes fossem um conjunto de peças do conhecido jogo de tabuleiro denominado WAR.

Este longo processo – que haveria de caracterizar uma “nova guerra fria” – começara com o desmantelamento da antiga União Soviética e o enfraquecimento e fragmentação de alguns Estados que a compunham. Sob diferentes formas, o processo continuou pela Iugoslávia, Iraque, Afeganistão, Cáucaso, leste europeu, países árabes e agora estaciona na Síria. Não por acaso. Ali, finalmente, Rússia e Irã, seguidos pela China e alguns países árabes, resolveram por um basta nos joguinhos de guerra imperiais. Ou, pelo menos, dificultar a brincadeira.

A atual guerra fria guarda diferenças significativas com a antiga. Aquela era um jogo de peças movidas por potências com poder de fogo quase equivalentes. A nova, mais agressiva, resulta de um largo período de potência única pelos EUA desde o início dos anos 90. Os EUA sentiram-se à vontade para praticar mudanças de regime político (regime changes) em todos os países em que seus interesses econômicos ou estratégicos estivessem em jogo. A OTAN virou um mero instrumento dessa política, além de auxiliar a submeter a Europa.

Destacam-se três formas de atuação imperial embaladas por ideologias e propagandas diferentes. Num caso, como ocorreu no Afeganistão, no Iraque e na Líbia, “justificava-se” a invasão direta, pela difusão ora da falta de democracia, ora da existência ou apoio a grupos terroristas, ora da fabricação de armas de destruição em massa. Outra forma, como ocorreu na Iugoslávia, Ucrânia, países do Cáucaso e alguns países árabes, caracterizava-se pela formação e apoio de grupos rebeldes internos – inclusive falsas ONG´s – que se encarregam da ação direta contra seus governos. A terceira forma se deu em países americanos como Honduras, Paraguai, Argentina e Brasil, onde as regime changes mais se pautaram em influenciar as eleições e/ou apoiar procedimentos parlamentares e jurídicos. Essas três estratégias não são excludentes, havendo em alguns casos – como no das “primaveras árabes” do norte da África – a utilização de mais de uma dessas estratégias.

Por um largo período as guerras e golpes levados a efeito em outros continentes fizeram com que Os EUA, "esquecessem" um pouco da América Latina. Enquanto isso, as potências ocidentais, aproveitando-se da desorganização e enfraquecimento da Rússia, foram picando e trazendo para sua área de influência, alguns países que a compunham. E foram além, tentando comer pela beiradas a própria Federação Russa, como foi - e ainda é - o caso da Ucrânia. À época perguntava-se com certa perplexidade, até quando a Rússia, ex- potência mundial, gigantesca, iria suportar o acelerado avanço do ocidente (entenda-se EUA e OTAN) em seus contornos e beiradas.

Foi ponto nodal nesta fase do processo, o Afeganistão. Chamado ironicamente pelos EUA de "Vietnã da URSS" teve sua guerra de libertação - com a necessária propaganda interna e externa - financiada pelas potências ocidentais e pelas ricas monarquias medievais da Península Arábica.

Propaganda interna porque se tratava de convencer setores mais radicais do Islamismo a não permitir a presença de ateus comunistas em seu “solo sagrado”. Externa, porque o mundo deveria saber que o jugo soviético era nocivo e que a democracia só seria atingida com a tutela do ocidente. Logo depois, ao empolgarem o poder com a ajuda de EUA e OTAN, os Talibãs impõem leis e costumes abusivos aos direitos humanos e, externamente posicionam-se contra o ocidente, seu novo "Satã". A ponto de ajudar o movimento Al Qaida a derrubar as torres gêmeas em Nova Iorque. O tiro saíra pela culatra.

Em seguida, EUA e aliados se voltam para o Oriente Médio e norte da África. Movimentos "democráticos" financiados secretamente pelas potências ocidentais e pelas monarquias da Península Arábica conseguem derrubar os "ditadores" laicos, substituindo-os por fundamentalistas islâmicos. Depois de intensa propaganda (novamente interna e externa) e guerras genocidas em alguns casos, instalam-se governos ultra-radicais e/ou desgovernos no Iraque, Egito, Tunísia e Líbia. Em relatório recente da observadora da Anistia Internacional na Líbia, a autora afirma que o desrespeito aos direitos humanos aumentou violentamente depois da queda de Kadafi, e que ela não tinha sequer a quem denunciar. Com exceção de um raio de poucos quilômetros além da capital, cada região era controlada por chefes tribais que impunham suas prórias leis e eram, em sua maioria rivais entre si.     
Tais arranjos institucionais estão distantes de se constituírem em governos nacionais posto que não são reconhecidos ou respeitados em seu próprio território. Isto também nos permite supor que, ao modo do Afeganistão alguns deles poderão, no futuro, voltar-se contra os próprios "libertadores".

Neste processo, merece atenção a Síria, onde a ação de subjugação e/ou desmembramento de Estados nacionais foi estancada principalmente pelo enérgico apoio russo e iraniano. Digamos que há um impasse ou empate técnico entre potências contra e a favor de Assad. O que a imprensa não nos diz é que o “ditador” sírio respeita (e tem o apoio) das minorias étnicas e religiosas, enquanto que seus opositores mais próximos, as monarquias da Península Arábica, trucidam quaisquer formas de oposição, praticam o assassinato por crença, e restringem de várias formas – e até violência - direitos fundamentais para mulheres.

Já dissemos que, enquanto as potências se ocupavam daqueles países, a América Latina, gozou de alguma tranqüilidade. O Brasil pôde implementar projetos de desenvolvimento econômico e social e consolidar uma política externa independente através do MERCOSUL e da UNASUL. Fez oposição e ajudou a derrubar a ALCA, que muito interessava aos EUA, além de aumentar investimentos e relações comerciais e culturais com Cuba, Angola, Moçambique e outros. Pôde também comprar aviões e submarinos, celebrar consórcios de intercâmbio tecnológico. Essa “desobediência” cresce em importância quando se lembra que nosso país exerce alguma liderança sobre outros países latino-americanos. Lindon Johnson já justificava o apoio ao regime militar no Brasil ao afirmar que, para onde o Brasil for irá o restante da América do Sul.

De todas as iniciativas estratégicas do Brasil a que mais preocupou os EUA foi a de nossa participação no BRICS. Grupo de cooperação econômica, comercial e estratégica entre países em desenvolvimento criado em 2006 e composto inicialmente de Brasil, Rússia, Índia e China ao qual se incorporou a África do Sul em 2011. De certa forma, o BRICS se opunha ao G7 composto pelos países mais ricos do mundo à época de sua criação (EUA, Japão, Alemanha, Inglaterra, França, Itália e Canadá) e, bastante obediente à supremacia do primeiro. Além de projetos de cooperação comercial e tecnológica, o BRICS mais assustava pela de criação de um banco de fomento e a substituição do dólar por nova moeda de transações internacionais, o que muito enfraqueceria o poder do dólar e, consequentemente, dos EUA.

Somados os fatores já elencados, o projeto imperial passou a ser o de derrubar Dilma e colocar algum governante mais dócil aos propósitos estadunidenses. Para tanto, basta atrair, treinar (às vezes pagar) membros do MPF, da PF e do Poder Judiciário, bem como, financiar algumas ONG´s como o Movimento Brasil Livre – MBL, para dar legitimidade ao processo.

Ao lado disso, temos uma burguesia débil, sem projeto próprio, atrelada aos interesses internacionais, que não sabe o que quer e pelo que lutar; e uma classe média, tão horrendamente preconceituosa que não aceita a idéia de que sua empregada doméstica tenha automóvel, mesmo que ninguém tire o seu.

Por fim, os BRICS constituem-se no maior inimigo estratégico e de longo prazo dos EUA. Interessa inviabilizá-lo ou, pelo menos, mantê-lo longe da América Latina. O propósito passa a ser o de confrontar e enfraquecer os BRICS começando pelo membro mais vulnerável e mais próximo geograficamente: o Brasil.

Vale dizer que não interessava apenas tirar Dilma Rousseff do poder; Interessava sua substituição por um governo sem legitimidade, portanto mais dependente e obediente às potências. Interessam hoje as privatizações que vem por ai; o fim dos projetos desenvolvimento autônomo; e dos direitos sociais e trabalhistas que encareciam nossos produtos. Nessa direção atuará o governo Temer-Meirelles. Dessa forma pensam, certamente, os estrategistas anglo-americanos.



(*) Levi Bucalem Ferrari é cientista político e escritor. Foi presidente da UBE – União Brasileira de Escritores.

Os integralistas voltaram?

Por David Ranieri


Perplexo olho ao redor e vejo por todos os lados o que se escondia há tempos.
Eles sempre estiveram aqui, ali e acolá, mas não os víamos, estavam assim escondidos, às vezes escorregavam dizendo algo que poderia os identificar mas logo, desdiziam falando ser troça.
Mas sempre estiveram em toda a parte, somente nós não os víamos.
Entre eles não havia dificuldade de identificar um igual, e tampouco de arregimentar quem de algum modo mostrasse simpatia com o pensamento.
Hoje estão ai, já falam ao púbico sem pudor. São muitos e podem em algum momento reacender a pira integralista que com muito custo foi apagada, mas cujas brasas esconderam até os dias de hoje.
E caso não os conheceis, são de fácil identificação, e não se escondem mais.
Dizem querer varrer do país a corrupção, os comunistas, os esquerdistas, os imigrantes, os migrantes, os pobres, os gays e, apurar a raça para mudar a cara do país.
Se com estas dicas ainda restarem dúvidas, procure conversar com um eleitor declarado do Bolsonaro e entenderá quem são!
Se o medo não percorrer tua espinha, é por quê não conheceu o passado, e tampouco entendeu o quanto é contrário à humanidade esta ideologia que no mundo recebeu um nome proibido e aqui foi chamado de Integralismo.
E de mito a santo, com deus, a família e a pátria, os integralistas voltaram?


Vencer na resistência!

Por Fernando Horta

Ontem eu li que a esquerda brasileira estava COMEÇANDO a fazer reuniões com coletivos e sindicatos para decidir o que fazer. Daí acho que compreendi o Plano Rocky Balboa de resistência brasileira. 

Eles começaram em 2013 com protestos "apoliticos". Depois criaram centenas de sites e memes ofendendo Deus e o mundo. Daí em 2014 paralisaram o congresso e a esquerda achou que era o caso da luta institucional. Apanhou o primeiro round com o juiz Gilmar Mendes tocando o gongo em decisão liminar-fantasma travando o Lula ministro. 

Claro que continuamos no plano de cansarmos eles, fomos chamando de "coxinhas" e eles foram cegando repórteres com bala de borracha, espancando estudantes e a esquerda preocupada com as vidraças e "em não dar motivo para eles usarem violência". Afinal, eles precisam de motivos. Apanhamos o segundo round sem dó, com o Willian Waack narrando toda tunda e os tribunais dizendo que é isto aí mesmo, o olho cegado do repórter estava no lugar errado. Ele não deveria ter colocado o olho no caminho da bala de borracha da PM. 

Seguimos a nossa estratégia, gritamos que não ia ter golpe. Teve. E daí, no ápice da revolta, o pessoal cantou aquela Carmina Burana linda com o Fora Temer. Chego a me arrepiar! Aí eles tomaram o Estado, a grana e o comando de tudo. Mas a gente achou que tinha volta no senado. O senado é uma casa diferenciada e racional. Apanhamos bem apanhado o terceiro round. Teve até senadora gaúcha, funcionária fantasma do senado e marido apoiador da ARENA, vestida de caturrita votando pelo impicho. 

Eles então passaram lei permitindo o corte do ponto imediato em caso de greve, com o supremo com tudo. Leiloaram todos os cargos de 1o, 2o, 3o escalão e todo mundo ficou mandando. Aí inventamos o trepidante "vomitaço". O Zuckerberg se apavorou e veio nas redes pedindo calma. A gente foi vomitando e os caras pararam de pagar todo mundo no RJ. Todo mundo. E a gente no vômito digital. Os caras sentindo a pressão. O cansaço deles de ficarem nos esmurrando era evidente. No ES, um pessoal da PM que tem as faculdades mentais em funcionamento, resolveu se revoltar. Agora vai! Vai todo mundo em cana e perdendo emprego e aposentadoria. Apanhamos o quarto round com o Frota sendo recebido no ministério da educação com "sugestões" para melhorar a educação brasileira. 

Mas a esquerda não pensou em nada. Seguiu firme, no plano o original. Cunha preso. Vai cantar que nem passarinho. Passeata, Paulista lotada, Fora Temer pegando geral. A única coisa que pegava mais era a borracha da PM no pessoal. Mas o Temer.... Apavorado no Palácio. Tava com tanto medo que se mudou de volta para o jaburu. Até o fantasma do Planalto era mais efetivo que a esquerda. Apanhamos o quinto assalto torcendo para o fim de 2015. Ô maravilha de ano aquele. Metemos trocentos recursos para anular o impicho. Agora é pressão no stf! 

Começa 2016 caindo avião. Todo mundo encagaçado em Brasília. Escorrendo perna abaixo. Mas a gente ali, cansando eles. Uma hora eles cansam de nós bater. "Já acabou, Jéssica?". Mas podemos dizer que nunca se fez tanta passeata ordeira. Aparecía gente "infiltrada" e nossa vigilante esquerda já filmava com seus poderosos celulares da liga da justiça e todos protegemos as vidraças. Imagine, bicho em extinção. "Tem que manter isto, hein?", "Com supremo, com tudo". E os caras metendo projeto para ferrar o país e cortando verba pra todo lado. Mas era tanta verba cortada que o déficit pirou e resolveu AUMENTAR. E descobrimos que a PM bate nas pessoas por amor, não é trabalho não, é amor. Mesmo sem receber eles continuam descendo a borracha. Mas a gente se continha e não dava motivo para eles apelarem para a violência. Ainda bem. Apanhamos o sexto assalto inteirinho. Foi tanto soco que no final a gente não sabia mais para que lado voltar. Uma parte da esquerda, perdidinha, voltou para o lado direito. 

Mas vamos embora, segue o plano! Moraes não vai assumir o STF e o Moreira (também conhecido como Angorá) vai ser preso! Foi outra sova. Ao som de Morais Moreira mesmo que é pra gente aprender. Botaram no stf um tucano reserva na marcação e liberaram o Gilmar Mendes para avançar e atacar. É lá foi o Dantas parar a lava a jato. Botou dedo na moleira do Moro, chamou todo mundo de mentecapto e distribuiu tabefe às ganhas. E a inflação caindo. Uma beleza. Ninguém mais comprando nada.... A inflação nem existe. Corta aumento por 20 años, entrega o pré - sal e tudo isto com roda de oração nos ministérios. O sétimo assalto foi menos porrada. Apanhamos, mas eles já estão cansados. Jucá já nem falava mais no senado. Era só na verba. Libera aqui, libera lá e vamo que vamo. 

Quando começou o oitavo assalto, meio sem querer entrou um direto de esquerda na ponta do queixo. O Batista pegou forte. Gravação, Mala de dinheiro pra todo lado, rastreada. Umas pro Temer outras pro Aécio mata-o-primo. Temer sentiu o golpe. Mas aí chegou a turma do deixa disso. Separaram o clinch, entra médico avalia o Temer, a direita apreensiva e a gente ali, com os dois olhos fechados de tanto apanhar, mas firmes no plano inicial. Quando o juiz reinicia, levamos uma no queixo. Bem dada. Fim da legislação trabalhista. Agora vale o espancado sobre o legislado. E, de quebra, para mostrar quem é que manda, Moro condena o Lula. A coisa é tão escrachada que o juiz debocha do Lula. Elogia o combate à corrupção do ex presidente, fala que não tem prova, mas vai condenar mesmo. Porque a literatura jurídica permite. E no final ainda diz que está chateado de condenar "um ex-presidente". Mas eles vão cansar. Ahhh vão. É desumano submetê-los a tanta pressão. 

O nono assalto começa com o Aécio discursando de volta no senado, a irmã em casa, o primo morto-vivo também em casa e o Gilmarzão sendo sorteado para tudo. Ele e o tucano o reserva plagiador. A melhor dupla de zaga da história. Defendem tudo pro psdb e ainda têm sorte. Seguem batendo na gente. Travam processo de Mariana. Porque é assim mesmo, o que ocorreu lá é uma bobagenzinha uma laminha na casa das pessoas e o juiz que cuida do caso fazendo questão que os moradores COMPROVEM a impossibilidade de conserto dos eletrodomésticos. Se não fica claro que estão querendo enricar em cima das honestas empresas. A cara tá tão inchada que eles nem se preocupam mais em disfarçar. Termina o round com os "apoliticos" do MBL comendo pipoca na plateia, todos com cargos de confiança porque são contra o aparelhamento do Estado. 

O décimo assalto começa já com dois sopapos: o Distritão e o parlamentarismo. Isto para deixar claro que manda. Mas a gente responde furiosamente com ovo. Ovo pra todo lado. Até houve manifestação da China pedindo moderação. Os caras tão COMPLETAMENTE apavorados. É visível. Demos quatro anos de vantagens para eles, demos todas as verbas e o controle do Estado. Não demos desculpa para a violência e fica claro que estamos chegando onde queríamos: eles vão ter cãibras de tanto socar a gente. 
Agora que eles estão bem onde queríamos, a esquerda resolveu COMEÇAR a fazer reuniões para decidir o que fazer. Tá certo. 
Temos que reconhecer que, em todo este tempo a figura que mais foi efetiva na resistência foi o fantasma do Planalto. Este conseguiu afastar Temer do Palácio. 
Voto para que convidem o fantasma para as discussões, talvez ele tenha alguma coisa a nos ensinar...
Só lembrando que agora não dá mais para ganharmos por pontos, ou nocauteamos ou...

Edit1: É. Este é o golpe mais escrevinhado da história da humanidade. Eles metem porrada na gente e a gente escrevinha livro. Corta verba e salário e nóis mete mais livro. Contei 18 até agora. Te mete...

Edit 2: Antes que venham me encher o saco dizendo que as datas estão erradas eu digo que é licença poética. Depois de tanto apanhar o vivente ficar desorientado mesmo.

MUDANÇAS

Por Nando Antunes


O PÁSSARO NA MUDA, MUDA DE CANTO
E PARA OUTRO CANTO ALGUÉM SEMPRE SE MUDA
HÁ QUEM MUDE PRA MELHOR
HÁ QUEM MUDE PRA PIOR
MUDAMOS DE IDÉIAS COMO NUVENS MUDAM DE FORMAS
AO CRESCER MUDAMOS O CORPO E A VOZ
MUDA O DESEJO E MUDA O BEIJO
NA MUDANÇA TUDO SE TRANSFORMA

NAS RUAS DESCUBRO QUE A MINHA VOZ
NINGUÉM OUVE. SÃO RECLAMOS DE UM MUDO
E AÍ EU MUDO. ME JUNTO AO POVO E ME MANIFESTO
EU MUDEI E QUERO MUDANÇAS
AGORA SOU POVÃO. SOU MAIS UMA VOZ NO MEIO DA RUA
NA VIDA MUDEI PRA MELHOR
E VOU AJUDAR A POR FIM AO QUE HÁ DE PIOR
QUE VENHAM MUDANÇAS NAS MINHAS ANDANÇAS

NA MANIFESTAÇÃO GRITOS SOAM COMO CANÇÃO
E A MINHA VOZ DEPOIS DA MUDA E CHEIA DE EMOÇÃO
JÁ DÁ O TOM E VEM DO FUNDO DO CORAÇÃO
PORQUE MUDANÇAS NÃO SÃO EM VÃO.


Será que ainda “se faz um país com homens e livros”?

Por Marcelo Nocelli

A célebre frase atribuída a Monteiro Lobato – “Um país se faz com homens e livros” - ainda faz algum sentido para nós, brasileiros?  
Diante dos números das últimas pesquisas creio que não. Segundo as apurações, o brasileiro lê cada vez menos. Atualmente apenas 44% da população brasileira têm o hábito da leitura. Porém, mais assustador ainda, foi quando vi que destes, 15% não se lembrava o título do último livro que leu... Esse detalhe já coloca em xeque o “hábito da leitura”. Assustador também é saber que, ainda dentro destes 44% que responderam manter o hábito da leitura, outros 12% afirmaram que não só o último, mas a leitura constante é, única e exclusivamente, a bíblia. (Talvez seja necessário deixar claro que não tenho nada contra quem lê a bíblia), mas a minha constatação, então, é a de que apenas 17% têm realmente o hábito da leitura. A leitura em sua essência, múltipla, com propósito na busca de repertório, conhecimento, fluência na língua, vocabulário, visão de mundo, posicionamento político e social, referências, história, geografia, ciências, além da diversão também, é claro, e todos os milhares de benefícios que os livros podem trazer.
Outra frase excelente é a do poeta Mário Quintana: “Livros não mudam o mundo. Quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas. ”
Somando essas duas máximas da literatura brasileira, a de Monteiro Lobato – escritor que publicou dezenas de livros adultos e que foi também editor, entre tantas atividades literárias que vão além do fantástico “Sítio do Pica Pau Amarelo”, conhecido pela maioria do povo brasileiro através da televisão, e não propriamente dos livros – com a de Quintana, me pergunto: será por isso, pela falta de leitura e contato com os livros e a literatura que o mundo não tem mudado? Que o país tem estancado? Ou melhor, tem mudado sim, mas para pior... Será por isso que estamos passando por esse processo de emburrecimento coletivo?
A jornalista Eliane Brum, escreveu recentemente que: “debater com seriedade a burrice nacional é mais urgente do que discutir a crise econômica e o baixo crescimento do país. A burrice está na raiz da crise política mais ampla. A burrice corrompe a vida; a privada e a pública. Dia após dia.”  
É exatamente isso que vemos em tempos de redes sociais, leituras banais, frases curtas e citações literárias, na maioria das vezes equivocadas, num mundo virtual de valores duvidosos e vida efêmera, sem leitura consistente, onde os mais tenebrosos absurdos amorosos são atribuídos à Clarice Lispector, frases de efeito e autoajuda são repetidas e compartilhadas como mantras, Simone de Beauvoir virou “baranga” e Bolsonaro mito, enquanto coraçõezinhos pululam na tela.
Confesso que não posso afirmar que a efemeridade das coisas, a exposição exagerada, a internet e as redes sociais (que também são recheadas de coisas boas) ajudaram mesmo a propagar a burrice, ou se só trouxeram à tona o que estava escondido mundo afora, dando voz a quem pouco falava, a quem não tinha coragem ou canal para falar... Agora, além dos benefícios, que sim, existem, as redes sociais jogaram à luz dos monitores, um monte de falácias das mais variadas... Outra escritora brasileira, a filósofa Marcia Tiburi, em seu livro “Como conversar com um fascista”, escreveu: “Se levarmos em conta que falar qualquer coisa está muito fácil, que falamos em excesso e falamos coisas desnecessárias, um novo consumismo emerge entre nós, o consumismo da linguagem.
O problema é que ele produz, como qualquer consumismo, muito lixo. E o problema de qualquer lixo é que ele não retorna à natureza como se nada tivesse acontecido. Ele altera profundamente nossas vidas em um sentido físico e mental. O que se come, o que se vê, o que se ouve, numa palavra, o que se introjeta, vira corpo, se torna existência”. E onde está sendo despejado esse lixo todo? Na internet, nas redes sociais, ao alcance de nossas crianças, o futuro do país.
O que permanecerá na memória da nossa população atual, e o que, realmente, influenciará a educação das nossas sociedades no futuro se não haverá mais livros nas estantes? Se quem cita Clarice Lispector na internet nunca leu um livro dela?
Se realmente livros mudam as pessoas e as pessoas mudam o mundo, se, realmente, um país se faz com homens e livros, está explicado porque o Brasil anda tão mal e porque nada muda por aqui, além das moscas...

Venezuela um novo Vietnã

Por Celso Amorim

“Venezuela is not very far away and the people are suffering and they’re dying,” Mr. Trump told reporters at his golf club in nearby Bedminster, N.J., after meeting with members of his national security team. “We have many options for Venezuela, including

A ameaça de uso da força tem que ser repudiada com veemência. Além de violar princípios básicos do Direito Internacional, ameaça trazer umas guerra civil (um novo Vietnã) para a América do Sul e a nossa fronteira. Embora não tenha dúvida sobre quem será vitorioso e quem será derrotado, uma guerra civil trará sofrimentos indizíveis ao povo venezuelano. Não podemos ficar indiferentes diante da agressão e da tragédia.

Celso Amorim, ex-Chanceler e como ex-ministro da Defesa

Os tabus de Chico

Por Ana de Hollanda, cantora, compositora, e ex Ministra da Cultura.

Não costumo postar comentários sobre o que se fala de Chico, até porque, além de nunca ter agradado a todos – o que é normalíssimo - ele não precisa de mim para defendê-lo. Mas o fato é que vejo gente que acredita estar abraçando uma causa progressista ao fazer coro a oportunistas de sempre que usam a popularidade dele para se projetar midiaticamente, através de qualquer polêmica. Há décadas a Folha de São Paulo - na época rompida explicitamente com Chico - costumava contratar garotos recém-formados para escreverem críticas detonando os trabalhos dele, declarando ser um artista ultrapassado, "datado", medíocre etc. etc. etc. Isso repercutia em todos os cantos e o jornalista anônimo, de uma hora para outra, se tornava celebridade entre os "a favor" e "os contra". Repetia a receita com outros artistas consagrados até que, depois de uns dois anos de polêmicas, já desgastado, era substituído por outro que aceitava a mesmíssima tarefa. Hoje, esses cinquentões estão soltos por aí, tentam conquistar alguma credibilidade, chegam a se declarar de esquerda e fazem o possível para que seus artigos na FSP permaneçam esquecidos.
Mas o fato é que agora, em função da canção recentemente lançada, TUA CANTIGA, parceria com Cristovão Bastos, pipocou nas redes uma série de artigos de figuras desconhecidas da quase totalidade dos leitores, com novas polêmicas, sendo mais frequentes as que acusam Chico de, além de velho, decadente, “datado” e ultrapassado, ser machista que não representa as mulheres contemporâneas (como se algum dia ele tivesse reivindicado o direito de representar quem quer que fosse, em relação a qualquer assunto).
A frase escolhida para detonar a convulsão foi declarar à amada: "largo mulher e filhos", de onde se deduz que o autor cultiva o adultério, coisa e tal. Imagino que as puritanas neo-feministas, nunca ouviram falar em Simone de Beauvoir, o que não deve vir ao caso, porque esta também pertence ao século passado. Mas condenam o autor da frase, sem terem se dado conta de que os personagens das canções de Chico - aliás, de qualquer ficcionista - não costumam ser autobiográficos. Que o compositor descreve situações e sentimentos corriqueiros, e até comuns, concordando ou não com eles. E que a criação artística é livre, ao contrário de uma tese acadêmica.
Mas, se for pelo caminho dos zeladores da nova moral, vamos nos preparar para a queima de livros clássicos dos séculos anteriores e para a censura aos maiores autores do cancioneiro popular do século XX. Na real, o que esse tipo de gente não admite é o sucesso de compositores que ocupam a mídia há mais de meio século. No caso específico, condena a obra e os autores, sem ter ideia de que o lundu feito por Cristóvão, estilo musical quase extinto, herança dos escravos, serviu de inspiração para Chico criar uma letra condizente, com imagens e expressões raras no linguajar atual.
Mas pelo visto, isso tudo é sutileza demais para tempos em que uma reflexão não pode ocupar mais do que 140 caracteres. Os novos reguladores da moralidade pública, representando a intolerância que vem ganhando adeptos no planeta, mostram sua cara amoldada para os tempos de Temer, de Trump, de Bolsonaro, de Crivella e outros fundamentalistas que ameaçam a liberdade de ideias, de criação e de opção de vida.




A RUA É NOSSA

Por Nando Antunes

SENTI UM MAU PRESSÁGIO
E CONTRA ELE EU REAJO
NUMA CORRENTE QUE SE ESBOÇA
- FORA OS PERVERSOS, SÃO DIVERSOS.
O PODER É DELES, MAS A RUA É NOSSA.

ESTICARAM O MEU HORÁRIO,
MAS NÃO AUMENTARAM MEU SALÁRIO
BRINCAM COM O POVO E FAZEM TROÇA,
MAS EU PROTESTO. AINDA ESTOU NO PÁREO.
O PODER É DELES, MAS A RUA É NOSSA.

SE A MISÉRIA É A FACE INTERNA
PORQUE A GRANA É PRA FACE EXTERNA?
DÊ UM POUCO PRA MINHA ROÇA
NÃO ACEITO A INJUSTIÇA ETERNA
O PODER É DELES, MAS A RUA É NOSSA.

LEIO QUE O FILHO E SOBRINHA DO DEPUTADO
EMBARCARAM NO TREM DA ALEGRIA LÁ DO SENADO
ENQUANTO ISSO O POVO SE ESPREME EM CARROÇA
MAS UM DIA A CASA CAI
E A NAÇÃO ASSIM COMO A RUA SERÁ NOSSA.


Nando Antunes.







Parlamentarismo como solução para quem?

Por David Ranieri


E a solução vem na forma de mudança de sistema de governo!
O parlamentarismo, negado pelo povo brasileiro no plebiscito de 1993, voltou a ser discutido nas altas esferas do governo federal.
Proposta vencida mas não esquecida pelos seus defensores, volta agora em meio a crise institucional a ser discutida como solução para os problemas brasileiros.
Seria mesmo uma alternativa viável, ou mais um modo de tirar do povo o poder decisório?
O país já teve o parlamentarismo durante os tempos do Império Brasileiro, com resultados pouco animadores pois a estabilidade dependia da coroa. Em outro momento conturbado de nossa história, a adoção do parlamentarismo se deu como medida limitadora das funções do presidente João Goulart, e deu no que deu, 21 anos de ditadura militar.
E a reforma política tão necessária para aperfeiçoar a representatividade popular no Congresso Nacional, Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais, já se mostra como um instrumento de perpetuação no poder dos caciques dos partidos políticos, contrariamente aos interesses populares.
Agora às vésperas da eleição presidencial em 2018 corremos o risco de aprovarem no Congresso Nacional uma alteração no sistema de governo, que viria a beneficiar os apoiadores das tais reformas que oprimem e retiram do povo brasileiro os seus direitos conquistados na Constituição Cidadã de 1988.
Se não for aprovado pelo povo, qualquer que seja o sistema de governo, ilegítimo será!


Lula Livre

A maldade não só aprisionou sem luz em grades sedentas um homem. Aprisionou milhões de corações que no escurecer do cansaço o lamento se ...