Certo dia um caboclo, sentindo dores nas costas, fruto do trabalho pesado da roça, procurou um médico.
Depois de aguardar por um bom tempo na sala de espera, já impaciente, foi atendido.
O atendimento foi relativamente breve. O médico pediu um RAIO X e pra marcar o retorno assim que estivesse pronto.
Ao sair o caboclo perguntou:
- Dotô quanto tenho que pagá?
-Sòmente trezentos reais.
Assustado com o valor disse o caboclo:
-Seu dotô tá muito caro o sinhô não demorô nem quinze minuto!
-Olha amigo, não foram só 15 minutos, veja aqui meu diploma, os cinco anos de faculdade, estágio que o senhor não está considerando.
O caboclo pensativo observou:
-O dotô istudo na facurdade. Quar memo a facurdade que o sinhô féis medicina?
-Na USP, amigo, a melhor que tem.
-Uai dotô a USP não é do governo?
-É sim amigo.
-Pois intão dotô, enquanto o sinhô istudava nóis trabaiava, produzia as coisa que todo mundo precisa pra viver.
-É verdade disse o doutor.
-Aí é que tá, das coisa que nóis produzia nóis tinha que pagá imposto, não é?
-Certo amigo.
-É pra isso que serve os imposto seu dotô. Pro governo pagá as coisa da saúde, das escola, das estrada e das facurdade também, concorda?
-Concordo
-Se o senhô pensá bem, enquanto o senhô istudava nóis que trabaiava estava pagando a facurdade que o governo mantém com os impostos, certo?
-A coisa funciona assim mesmo amigo.
-Intão dotô se o senhô concorda vai entende que nóis é que pagamo para o senhô istudá,
Inquanto nóis istava na lida com muito pouca chance de ir pra escola.
-Tem mais dotô, o valor que tá me cobrano por quinze minuto de atenção eu priciso de cinco dia pra ganhar. E o que penso então que de certo jeito paguei para o senhô estudá e agora está me explorando.
-Mais, na minha roça nóis plantamo muitas coisa que as pessoa precisa pra viver. Uma das coisa, por exemplo, é a abobora. Imagina que o senhô quizesse comprá uma abobra de dois quilo e eu cobrasse cento e cincoenta real. Eu ia ser chamado de exploradô ou ladrão.
-Ainda posso responde que nóis fica muitas hora debaixo do sol a pino, arano, prantano, cuidano e ainda esperano arguns meses para dar o fruto.
-Não é o caso dotô ?