Por David Ranieri
Fazer o quê, dirão uns, afinal consumado está, nada mais resta-nos a fazer a não ser acompanhar o desmonte de tudo que já foi o motor de propulsão para a inclusão social do nosso povo.
Fazer o quê, já que a situação não afeta os abastados que irritados no passado recente repicavam suas panelas furiosamente em protesto contra o que julgavam ser o pior da construção política brasileira.
Fazer o quê, enquanto apaticamente caminham cabisbaixos os que perderam as conquistas do passado, em nome de um progresso que irá lhes tirar a dignidade alcançada.
Fazer o quê, se lá na casa das leis, os que lá estão não medem as consequências nefastas de seus atos e tão somente almejam o aumento de seus ganhos.
Fazer o quê, se a soberania não tem significado e a sua existência deixou de ser um legado.
Fazer o quê, fingir que tudo está certo e que nada está a nos atingir mesmo que saibamos que estão a nos roubar.
Fazer o quê, caminhar sem paradeiro a procura de emprego, saúde ou segurança, e se esconder da própria miséria que nos rodeia em castelos de areia tão frágeis quanto a justiça social.
Fazer o quê, se creem nas mentiras contadas mesmo que as malas cheias de dinheiro e as denuncias digam o contrário.
Fazer o quê, se em nome de pagarem as dívidas criam novas para salvar suas peles e enchem os bolsos dos aliados deixando para o futuro o peso para os pobres pagarem.
Fazer o quê, se a canga apesar de pesada foi vestida e está suportada por todos.
Fazer o quê, se o que parece errado travestido de certo está pelos togados que julgam, mesmo que nosso entendimento seja contrário?
E fazer o quê, já que dizem que tudo é feito para a vida melhorar no futuro por vir.
E fazer o quê, se o que virá não for o que disseram que seria.
O tempo não perdoa!

