A terra prometida fez com que milhões caminhassem sem rumo pelo deserto, até que lhes fosse dito terem chegado ao seu destino, onde poderiam enfim criar raízes e ser nação.
Os gregos antigos, base da civilização ocidental, estimavam a terra de um homem pelo poder deste em defende-la e para tanto, os seus limites não poderiam ser maiores que a sua força e alcance de sua lança. Sendo a limitação de um homem a sua posse. A história humana tem forte relação com a posse da terra. Na expansão para o oeste nos Estados Unidos da América, a posse da terra dependeu da capacidade dos colonos de conquista-la, já que, como invasores adentraram território dominado por tribos indígenas dizimando-as. E assim, o sangue derramado adubou a terra dos conquistadores nas Américas, não tendo sido diferente em nosso Brasil.
A religião judaico-cristã simboliza esta dependência do homem com a terra, em gênesis, ao atribuir a sua origem ao barro moldado por Deus.
O direito à terra então é sagrado, tendo significado na cultura de todos os povos, e sua posse garantida pelo Estado, este também um detentor de terras, sendo assim reconhecido como país.
O certo é que existe esta dependência, e a sobrevivência da espécie exige os frutos da terra! Portanto, a procura dos homens por terra não poderia ser criminalizada, ou tampouco refutada como coisa menor já que encerraria a própria existência.
Ocorre que nem todos tem acesso à terra. E pior, num país de dimensões continentais como o Brasil existem milhões de pessoas sem terra! Ou seja, sobrevivendo à mercê da sorte, como párias numa sociedade que valoriza a posse.
Mas se uns nada têm, outros têm demais. Eis aí um grande problema, visto que, na defesa de grandes áreas, algumas maiores que países, os que se julgam donos usam da força desproporcional para tê-la, retirando o direito dos que por origem deveriam possuí-la e mantê-la, mas em sendo fracos as perdem pela força da bala que expropria as terras indígenas e abre fronteiras para a exploração econômica, com consequências graves no meio ambiente e no campo social, e os resultados via de regra beneficiando a poucos, enriquecendo uns e ampliando a miséria no entorno, ao favorecer a concentração de terra nas mãos dos latifundiários.
E já que o direito à terra é sagrado, assim como a obrigação de poder defendê-la, trata o Estado desigualmente estes latifundiários, justificado no poder do agronegócio, favorecendo assim os interesses econômicos em detrimento do meio ambiente e do desenvolvimento social, negando o direito à terra para milhões de famílias no campo que nutrem esperança de uma reforma agrária para conquistarem o seu pedaço de chão, e dele fazerem o ganha pão.
E este Estado que deveria proteger o direito à posse da terra, garantindo a sua função social, sucumbe aos interesses econômicos ao apoiar, em nome do desenvolvimento, o desmatamento de áreas imensas e a extinção de reservas em áreas amazônicas, prejudicando sobretudo a sustentabilidade ambiental e social.
E tal como vilão, abandona a sua obrigação de zeloso guardião das terras do povo, entregando seus domínios ao capital estrangeiro que, somente interesse terá nas riquezas escondidas nestas terras e nada mais. Não se sabendo ao certo o legado que nos restará.
E o que te pertencia já não é teu mais, tendo sido a outros destinado e assim ferindo o direito do povo brasileiro à sobrevivência e a um futuro sustentável, com melhoria da qualidade de vida e cidadania.
E quem é este que nosso Estado representa, seria o mesmo que representa o povo de suas terras?

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