Por Dr. José Anézio Palaveri
Ser governo seria concordar com os desmandos do chefe do governo?
Cada poder é independente para quê?
Como o legislativo poderia ser um poder fiscalizador se é obrigado a defender o executivo, seu chefe, de qualquer maneira? Se quiser levar vantagens, é claro.
O excesso de cargos de confiança, nos segundo e terceiro escalões do governo, nomeados não segundo a capacidade ou o preparo do fulano, mas de acordo com a filiação partidária e com a intensidade do apoio que dá às propostas do governo é a morte da Democracia.
Não concorda comigo? Pois bem, seu apadrinhado vai perder o emprego, vou substituí-lo por um indicado por quem está me apoiando e defendendo sem restrições.
E assim as falcatruas vão acontecendo e a pobre viúva vai ficando cada vez mais pobre.
Não deveria ser assim, mas, por aqui, é.
Cargos deveriam ser preenchidos por cidadãos preparados e capazes para o exercício das funções, após enfrentarem provas de seleção abertas democraticamente a todos os interessados...
Chegamos a sentir nojo destes políticos quando ficamos sabendo dos detalhes das negociações e das falcatruas...
E o país? Ora o país! Eles precisam cuidar de seus interesses particulares, o interesse nacional fica pra depois.
O país que espere. Deitado eternamente em berço esplêndido até que nós nos entendamos!
Coitada da Democracia! Teimo ainda em escrever seu nome com D maiúsculo, apesar de ela ter se apequenado diante das negociatas e do malcaratismo do Temer, de seus comparsas aliados e dos que se venderam para serem seus aliados de ocasião.
E elas continuam... Pensam que têm moral e credibilidade para imporem as reformas que estão tramando a seu modo...
E muitos partidos políticos, partidos há tempos, sonhando com suas vantagens estão lardeando apoio às reformas.
E as lideranças do país parecem anestesiadas. Estão dormindo com esperanças em vantagens futuras?
E a sociedade civil? Os sindicatos, todos nós? Não daria para acordarmos, dedicar um tempinho para debater os temas das reformas trabalhista, tributária e da previdência?
A reforma política está tomando espaço. Não podemos deixar que os próprios políticos façam-na na surdina a seu modo... Eles vão resolver seus problemas, as fontes de suas verbas, como melhor se unirem para não perderem suas mamatas...
E não podemos cruzar os braços. Temos voz e praças para protestarmos. Conhecemos deputados e senadores que precisarão ser abordados para saberem dos desejos do povo...
Os meios de comunicação não podem se vender. Eles precisam divulgar os golpes e as ameaças que são tramados na calada da noite...
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