Onde estariam os brasileiros?

Por David Ranieri


Quando que iríamos imaginar vivenciarmos momentos como estes. Dias de espanto no mínimo poderíamos dizer. 
Se não foi golpe, hoje muito perto de um estamos.
E como que anestesiados segue o povo e, a nada respondem; seguem acoitados pelas maldades infringidas a toque de caixa para atender ao deus mercado, a exige no altar do capitalismo a imolação dos trabalhadores, com seu seu suor, sangue e tempo de vida como sacrifício para o regozijo e alegrias dos donos dos capitais.
Onde afinal estamos neste momento?
Pasmos e apavorados olhamos ao redor na busca por algo, mas nem esboço de um levante pela preservação da dignidade. 
Onde mais? Não há como aceitar tanta sujeira e tantas artimanhas em proveito próprio a prejudicar a vida de milhões de brasileiros. Entre lágrimas de sacrifício apenas lamurias e nada mais.
Quem diria que a vontade nos seria retirada tão fácil.
Marcharam com passos firmes e dedos em riste com gritos histéricos e palavras de ordem e conseguiram assim retirar um mandato popular dividindo o país em duas facções, mas aqueles que se diziam lutadores pela moral e democracia, família e propriedade, com as cabeças enfiadas no próprio ânus caminham cegos sem esmo enquanto ladrões denunciados e conhecidos definem o destino de um país.
Vergonha ter visto um país se dividir em prós e contras, enquanto gestavam um golpe contra a soberania popular. 
Onde estamos e por que aqui chegamos?
Brasil que a todos acolheu e que hoje segue entregue aos interesses mesquinhos de poucos ao se desfazer do patrimônio que poderia garantir melhor vida dos futuros brasileiros.
O que nos restará se não houver um basta?
Onde estariam os brasileiros?


DO POVO, PARA O POVO
Uma parábola do nosso tempo
Por Atílio José Rossi
Havia uma terra abençoada pela natureza, onde tudo o que se planta dá, e nela vivia um povo trabalhador, que produzia, pagava impostos, respeitava as leis. Mas era um povo muito sofrido, explorado e mantido sem conhecimento, mal informado, sem cultura, porque interessava aos poderosos daquela terra, que tinham o governo em suas mãos, mantê-lo na condição de dominado.
As notícias e informações que chegavam àquele povo, por intermédio dos lacaios do poder, eram elaboradas e direcionadas para mantê-lo na ignorância, com informações omitidas, quando interessava, e muitas vezes falsas, de maneira que, repetidas constantemente, tinham aparência de verdadeiras. O objetivo dos poderosos com isso era assegurar o domínio, levando o povo a crer que os que lutavam a seu favor eram seus verdadeiros inimigos.
Não explicavam porque faltavam as condições básicas para aquele povo, como saúde, escolas, transporte público e moradia, entre outros, sendo que a arrecadação de impostos era realizada precisamente para prover tais serviços. Os capitalistas eram muito astutos e sempre inventavam explicações para justificar as carências: ora a crise interna, ora a crise internacional, a falta de investimentos por parte das empresas, juros altos e assim por diante. Só não falavam dos gastos altíssimos com a máquina pública, das mordomias absurdas, do elevado nível de corrupção, das licitações fraudulentas, dos grandes desperdícios - isso, sim, tinha um peso muito grande que recaía sobre a sofrida população.
Havia aqueles que profetizavam, alertando o povo das injustiças cometidas contra ele, mas estes eram logo atacados pelos poderosos, perseguidos, caluniados e às vezes assassinados, como se fossem culpados por toda a desgraça que recaía sobre a nação. Inventavam tanto contra eles e repetiam tanto as suas mentiras que elas acabavam parecendo verdades, e grande parcela da população terminava acreditando e execrando os profetas, que eram os verdadeiros amigos do povo.
A sagacidade dos capitalistas era tanta que chegavam a dizer - e muitos acreditavam - que aquela situação injusta era a vontade de Deus, e assim seguiam iludindo as pessoas, distribuindo migalhas a título de caridade e fraternidade. Com isso iam enganando a todos como se fossem eles os justos.
Até que, um dia, alguns homens honestos e amigos do povo, que compreendiam o que se passava por trás de toda a mentira divulgada pelos poderosos, resolveram reagir. Começaram então a se reunir para debater a situação, e também a se organizar, na tentativa de esclarecer a sociedade como um todo e levá-la a reagir diante de tanta concentração de renda, injustiça, miséria e abandono. E assim foi.
EDUARDO, conhecedor das leis, disse:
- Amigos, estamos diante de um quadro político e administrativo em que a concentração de renda está cada vez maior, e nós estamos sendo jogados na miséria a ponto de começarmos a perder a esperança de dias melhores. A última coisa a perder é a esperança. Ou nos organizamos para uma ação conjunta ou seremos sempre capachos do poder econômico. A Constituição Federal garante-nos direitos que foram e estão sendo retirados pela ganância desmedida dos detentores do capital, que além disso estão avançando nos patrimônios e reservas estratégicas da Pátria.
ZÉ CARLOS, industriário consciente, afirmou:
- É verdade, sem esperança e sem organização não vamos a lugar nenhum, só unidos conseguiremos mudar as coisas.
MANOEL, comerciário, ponderou:
- Também concordo, mas precisamos saber muito bem o que se passa, tendo em conta que tudo está cada vez mais caro, o povo ganhando pouco ou desempregado, com necessidades cada vez maiores. Famílias com pouco ou nada para comer, indo morar em favelas por não terem casa e não conseguirem pagar aluguel.
ANTONIO, motorista, emendou:
- Só tendo conhecimento poderemos alertar e convencer os demais. Por exemplo: o transporte coletivo, que deveria ser subsidiado, é ruim, caro e oferece poucas opções; as pessoas viajam amontoadas como gado e muitos, por isso, preferem andar de carro. Isso aumenta os  congestionamentos, o número de acidentes e a poluição do ar, e só beneficia a indústria automobilística e a indústria do petróleo, que visam o lucro, não no bem estar da população. 
RUSSO, trabalhador do campo, esbravejou:
- Esta situação não pode continuar, chega de ser explorado de forma desumana. Na roça, trabalhamos de sol a sol, com um salário de fome e aguentando capatazes. Isso quando não somos obrigados a comprar no armazém da fazenda, onde tudo é mais caro e o salário não chega para pagar. Acabamos ficando reféns do fazendeiro. Isso é escravidão!
ROSÁLIA,  professora, entrou na conversa:
- A educação, que é a base do desenvolvimento de qualquer país, está uma verdadeira calamidade. Sem recursos, sem verbas, os salários muito baixos. O professor, desvalorizado e desprestigiado, é obrigado a lecionar em vários períodos para sobreviver, ficando sem tempo para aperfeiçoamento, atualização, planejamento de aulas e para a família. Isso quando não é vítima de violência por parte de alunos e até de pais despreparados, sem o mínimo de proteção e de direitos.
DR. FERNANDO, médico de posto de saúde, emendou:
- Na minha área, sou testemunha de que temos cada vez menos condições de atender à população que depende da saúde pública. Há carência de médicos, pois ninguém mais quer trabalhar com salários não condizentes. Faltam remédios, equipamentos, infraestrutura. Há locais de atendimento completamente insalubres, hospitais superlotados, pacientes amontoados nos corredores. Os pacientes, por sua vez, reclamam pela demora ou até mesmo pela falta de atendimento, e com razão. Tudo isso provoca um imenso desgaste na gente, porque não temos condições de dar o tratamento adequado aos pacientes. Devemos dar um basta nisso! O dinheiro suado que sai de nossos bolsos na forma de impostos deveria estar sendo usado nessas coisas, e não em enormes salários e mordomias absurdas para deputados, senadores, juízes, apadrinhados e sanguessugas de nossos recursos.
HERMÍNIO, economista, aparteou:
- A verdade, meus amigos, é que o povo está sendo ludibriado por este governo, totalmente  dominado pelos capitalistas que determinam os rumos da economia. Promovem reformas para retirar os direitos do povo trabalhador em benefício deles mesmos, empobrecem o povo para ampliar suas riquezas, aumentando ainda mais a absurda concentração de renda que temos em nosso país. Eles dizem que estamos em crise, mas a crise foi provocada por eles mesmos, que deixam de recolher impostos dos mais ricos e perdoam suas dívidas, em detrimento dos benefícios sociais que são cada vez menores. Para conseguir isso, compram - com dinheiro público! - parlamentares corruptos que aprovam as leis de seus interesses. Os banqueiros tem lucros maiores a cada dia, cobrando juros altíssimos, inclusive do próprio governo, o que aumenta sobremaneira a nossa dívida interna. Então, o governo cria este cenário de crise e começa a vender o patrimônio público, o nosso patrimônio,  privatizando setores estratégicos, como o setor energético, e abrindo mão da soberania nacional.
RUSSO interveio e lembrou:
- Os fazendeiros conseguem grandes financiamentos para o agronegócio porque tem uma bancada forte no Congresso Nacional, eleita pelo povo que acreditou em suas promessas, quando na realidade estão a serviço deles mesmos. Estão a cada dia mais ricos, comprando mais e mais fazendas, mas continuam pagando miséria aos que trabalham no campo, próximos da escravidão. Desmatam ao seu bel prazer, sem respeitar as leis ambientais, destroem o meio ambiente que pertence a todos nós, enquanto o governo fecha os olhos para seus abusos e lhes concede mais e mais créditos. Muitos invadem terras indígenas e de camponeses que só querem terra para trabalhar, produzir e sobreviver, chegando mesmo a matar quem luta para reverter essa situação.
JOÃO LUÍS, ecologista, indignou-se:
- A ganância desmedida está destruindo o meio ambiente! Áreas enormes estão sendo desmatadas sem o mínimo critério, matando as nascentes que abastecem os lagos e rios e provocando o desabastecimento de água que já afeta grande parte da nossa terra. As áreas verdes estão secando também pela falta de chuvas, porque para chover precisamos das matas que realizam o ciclo da água. Os peixes estão sumindo, no futuro não teremos mais abelhas que produzem o mel.  Tudo isso para quê? Para plantar cana e produzir álcool para abastecer os carros, que apesar de ser um combustível não poluidor provoca, para sua produção, a devastação da natureza onde é plantado.  Ou, o que é pior, para plantar soja, trigo e milho transgênicos, que serão exportados e enriquecerão ainda mais os latifundiários. Aplicam agrotóxicos muitas vezes de forma criminosa, ultrapassando os limites definidos pela saúde pública, com a conivência das autoridades e sem nenhuma fiscalização, envenenando os alimentos que consumimos e também a terra e os rios. Desmatam ainda grandes áreas para criação de gado, com a maior parte da produção destinada à exportação, enquanto milhões de famílias de nossa terra ainda passam fome.
HERMÍNIO tomou novamente a palavra:
-  Além de tudo isso, temos uma classe abominável de homens que usam a religião, usam o nome de Deus para se eleger, e depois viram as costas para o povo e seus fiéis, fazendo-os de otários. Iludem os pobres coitados, como se fossem seres iluminados, enviados por Deus; prometem o céu em troca de apoios, e os menos informados acreditam neles como se eles fossem justos e santos, mas depois ficam sem céu e sem nada.
MARQUINHOS, que não gostava de política, resolveu falar:
- Estou de saco cheio, esses políticos estão dando nojo. Não quero me meter em política porque sou contra tudo isso. Política é para vagabundo, bandido, sem vergonha; prefiro ficar fora.
Alguém do grupo retrucou, com carinho:
- Marquinhos, olha só... Mesmo você não querendo, você acaba fazendo política, porque sua indiferença interessa aos detentores do poder, que continuam fazendo o que querem sem protestos. Quem cala consente! Com todo respeito, sei que, como nós, você está indignado. Então vou te contar o que disse Bertolt Brecht em O Analfabeto Político“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio depende das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nascem a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e o lacaio das empresas nacionais e multinacionais.” É para pensar, não acha?
MARQUINHOS, depois de meditar um pouco, respondeu:
- Vendo por esse lado, acho que você tem razão. Se ficamos calados a situação pode ficar ainda pior.
EDUARDO então retomou a palavra:
- Bom, gente, depois de ouvir todos vocês, estou aqui pensando o que podemos esperar para o futuro de nossa pátria de nossos filhos e netos, a continuar essa situação de domínio e exploração...
ANTÔNIO completou:
- Em pouco tempo não teremos como alimentar dignamente os nossos filhos, ficaremos com a saúde debilitada e dependeremos ainda mais deste governo que pouco se interessa pelo povo.
ROSÁLIA emendou:
- E sem educação adequada, que é fundamental, nosso povo ficará cada vez mais carente do conhecimento e da cultura tão necessários para entender o que se passa. Estaremos cada vez mais nas mãos dos dominadores! Do jeito que as coisas vão, ficaremos sem professores e sem educação, por falta de salários decentes, segurança, estímulo e infraestrutura para o ensino.
DR. FERNANDO reforçou sua tese:
- A saúde, que já está um caos, ficará cada dia mais deficitária, e em pouco tempo já não teremos condições tratar nossos pacientes, dada a precariedade de investimentos, o alto valor dos medicamentos e a falta de seguridade social.
RUSSO também voltou a falar:
- Em pouco tempo não teremos condições de comprar hortifrutigranjeiros, devido ao aumento de preços provocados pela dificuldade de cultivar e a falta de apoio a esse ramo de atividade. Quando não, estaremos nas mãos dos atravessadores.
HERMÍNIO resumiu:
- Enfim, amigos, a vida vai ficar mais difícil a cada dia, os recursos mais escassos, a miséria aumentando e trazendo consigo a criminalidade, a violência, a insegurança, a falta de confiança no próximo e o medo de até sair às ruas.
EDUARDO questionou:
- Precisamos inventar uma maneira de sair desta situação, uma vez que está em jogo o futuro e o bem estar de todos. Como fazer isso? Eis a questão. Não temos recursos financeiros. Para piorar, os meios de comunicação estão nas mãos dos poderosos: seremos combatidos e endemoniados por eles,  que com o poder da mídia conseguem enganar o povo e até jogá-lo contra nós.
ZÉ CARLOS, então, sugeriu:
-É verdade, mas existe um bom número de pessoas conscientes que gostariam de colaborar para mudar a realidade.
DR. FERNANDO, finalmente, propôs:
- Vejamos... Temos também entidades sérias, podemos fazer um levantamento. Temos sindicatos fortes e a favor dos trabalhadores, partidos políticos comprometidos com a população, além de pensadores, artistas, humanistas. Temos analistas políticos isentos, que podem ajudar na interpretação da situação. Temos advogados, economistas, sociólogos que, se unidos e aliados à população e aos trabalhadores organizados, formam uma força imensa capaz de reverter a situação.
EDUARDO encaminhou a discussão:
- Muito bem, meus amigos, algumas ideias estão aí e outras com certeza surgirão. O importante agora é começarmos a fazer contato e promover encontros reunindo todo esse pessoal. É o primeiro passo para que possamos tomar consciência da situação como sociedade organizada e unida que devemos ser. Proponho que a gente distribua algumas tarefas de acordo com a habilidade de cada um de nós, para podemos “botar a mão na massa”. Que tal se marcamos para uma data bem próxima a nossa primeira reunião de planejamento? Tragam o máximo de ideias e sugestões para discutirmos e elegermos as que mais se aplicam à nossa causa.  Vamos à luta, e vamos organizados! Unidos, venceremos!
Assim foi feito...
E foi assim que, depois de algum tempo de preparo e de ação, aquela sociedade - antes marginalizada e condenada à ignorância pelos poderosos de plantão - transformou-se em um grupo mobilizado, formando um verdadeiro exército.
Juntos, eles ocuparam as ruas e praças públicas para denunciar as injustiças, as falcatruas e os corruptos, e conseguiram que eles não fossem mais eleitos, elegendo em seu lugar representantes realmente comprometidos com o povo.
E foi assim que aquela gente, antes refém de um governo que tirava dos pobres para dar aos ricos, mudou o rumo das coisas e garantiu um futuro mais justo e pacífico para toda a sociedade.
Juntos, criaram meios de comunicação transparentes, para manter os cidadãos informados, esclarecidos e em constante vigilância e questionamento em relação ao poder.
Juntos, desenvolveram soluções para os problemas que se apresentavam à sociedade, de maneira a evoluir política e socialmente, com o engajamento perene, sadio e igualitário de todos.
Juntos, decidiram que a cada período o governo deveria ser renovado, com a eleição ou reeleição de seus governantes, que assim passavam pelo julgamento periódico da sociedade.
Juntos, os cidadãos daquela terra abençoada pela natureza tomaram, enfim, as rédeas de seu país e construíram uma verdadeira democracia, um governo do povo e para o povo.
07/11/2017  - Colaboradoras:- Anamaria Rossi  -  Norien Marly R. Rossi


O povo limpará a República dos vilões?

Talvez toda esta demonstração de falta de caráter e ladroagem do dinheiro público, sirva para não reeleger os velhacos perpetuados no poder pelo sistema politico brasileiro. Talvez as eleições definam um novo quadro político retirando das cadeiras estas figuras que tanto desdém nutrem pelo povo. No entanto, ainda assim, corremos o risco de pouco mudar já que estes migrarão para cargos apadrinhados onde continuarão exercendo os seus labores em benefício próprio e de grupos políticos, abocanhando partes do orçamento público que poderia resolver problemas crônicos da população brasileira. Extirpar do seio da República todos os canalhas seria os princípio de uma revolução neste país. Iludidos muitos acharão que os tribunais farão o papel que pertence ao povo: limpar a República dos vilãos!

Regressão secular ameaça o país

Por Editorial do Jornal O Trabalho nº 816, de 19/10 a 02/11/2017


Para onde caminha o Brasil nas mãos dos serviçais do capital financeiro?
A publicação da Portaria 1129, no Diário Oficial da União em 16 de outubro, que modifica o conceito de trabalho escravo e cria obstáculos à sua fiscalização e combate, é uma brutal expressão de para onde o governo usurpador, imposto pela força destruidora da especulação financeira, empurra o país.
Para se manter no poder, reunindo os votos necessários para safar-se da investigação dos crimes de que é acusado, Temer entregou à bancada ruralista da Câmara Federal o direito aos latifundiários de explorarem impunemente o trabalho escravo!
Depois de quebrar a CLT, dando ao patrão a liberdade de super explorar seus empregados, o golpista agora autoriza os ruralistas a explorarem o trabalho em condições análogas à escravidão do século 19.
O governo, e as instituições que lhe dão sustentação avançam, mesmo em crise, e aos solavancos, contra a nação, o provo trabalhador e a democracia.
Mas, não há um tapete vermelho estendido para esta marcha mortífera deslizar.
Amadurece na consciência da classe trabalhadora, que não aceita ajoelhar-se à rapinagem programada pelo golpe, que é possível colocar um breque nesse desvario que pretende transformar o Brasil num campo de exploração selvagem dos trabalhadores e das riquezas nacionais.
Há disposição de luta para revogar as medidas que retiraram direitos, como mostra a mobilização ao redor do Projeto de Lei de Iniciativa Popular, lançado pela CUT, pela anulação da contrarreforma trabalhista.
Há disposição de luta contra os brutais cortes orçamentários que prejudicam o atendimento das necessidades da maioria do povo trabalhador, como demonstrou o MST que se manifestou em 17 de outubro em várias sedes estaduais do Instituto Nacional de Reforma Agrária (INVCRA), e ocupou o Ministério do Planejamento em Brasília, contra o corte de verbas para a Reforma Agrária.
Todas as medidas de destruição devem ser revogadas! A soberania precisa ser conquistada!
Amadurece a consciência de que há uma saída para salvar a nação do desastre e que por ela é preciso lutar. É por isso que tentam impedir a candidatura de Lula, mas também amadurece a convicção de que "eleição sem Lula é fraude".

HENRIQUE! UM CHOPP NO CÉU


Por Edwaldo Arantes – ee.arantes@uol.com.br

Sempre me lembrarei do sorriso adentrando o Instituto do Livro, direto para a minha mesa, em passos tranqüilos e iluminando o árduo dia com sua presença e sua pergunta e marca pessoal:
Edwaldo, me conte alguma coisa boa.

Assumia o seu cantinho com sua presença amiga, quando lá pelas 12:00, 13:00, rumávamos para o nossos almoços, Cantina 605, Pinguim, Boi Bom, Cupim do Paulim e, recentemente, no Pitéus do querido Rubinho.
No final da tarde, com aquele sorriso arrebatador de quem possui o charme e o destino dos justos, com todo o seu poder de convencer e encantar, totalmente natural, sem pieguices ou como aquele chato de plantão que teima em insistir, persistir, pressionar ou ser inconveniente.
Nada disso, eu ficava esperando ansioso o momento exato em quem ele erguia os olhos do computador, virava-se com todas aquelas características que jorravam dele:
Bonança, sossego, paz, equilíbrio, calmaria, remanso e serenidade, com um sorriso aberto, dizia com a voz em calmaria presente:
"Vamos ligar para o Ewaldinho Arantes e pendurarmos uns chopinhos no ...

Não conto o Santo, só os milagres.
Uma alegria eterna. Um cara que nunca tinha lágrimas e caretas. Um homem menino, livre e cristalino, coisa de quem não possui pecados e nunca fez mal a ninguém. Todo mundo para ele era bom. Fomos ao Rio abraçarmos Nando Antunes, eu, Bafudo doente, a pedido dele em seu absoluto despojamento , entreguei a eterna camisa do Magrão ao Nando.
Era um arquipélago de amigos, dos imortais; Deonísio da Silva, Anna de Hollanda, Joaquim Botelho, Levi Bucalem Ferrari, Nando Antunes, Sérgio Roxo, Reginaldo Arthus, e tantos outros monstros sagrados e, também de nós, pobres mortais.
Era costume, antes dos chopinhos , migrarmos para a Cava do Bosque, Secretaria Municipal dos Esportes, iniciando umas conversas, falando de tudo e de nada com os amigos queridos, Guerra, Dado Batista, Dezordo e quem mais viesse.

Minha homenagem e gratidão passam pela pena do Poeta:
Irene no Céu
Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.
Imagino Irene entrando no céu:
- Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
- Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.

Manuel Bandeira BANDEIRA, M. Estrela da Manhã, 1936.

"E a saudade! ohhhhhhhhhhhhh”.



O tempo não perdoa!

Por David Ranieri


Fazer o quê, dirão uns, afinal consumado está, nada mais resta-nos a fazer a não ser acompanhar o desmonte de tudo que já foi o motor de propulsão para a inclusão social do nosso povo.

Fazer o quê, já que a situação não afeta os abastados que irritados no passado recente repicavam suas panelas furiosamente em protesto contra o que julgavam ser o pior da construção política brasileira.
Fazer o quê, enquanto apaticamente caminham cabisbaixos os que perderam as conquistas do passado, em nome de um progresso que irá lhes tirar a dignidade alcançada.
Fazer o quê, se lá na casa das leis, os que lá estão não medem as consequências nefastas de seus atos e tão somente almejam o aumento de seus ganhos.
Fazer o quê, se a soberania não tem significado e a sua existência deixou de ser um legado.
Fazer o quê, fingir que tudo está certo e que nada está a nos atingir mesmo que saibamos que estão a nos roubar.
Fazer o quê, caminhar sem paradeiro a procura de emprego, saúde ou segurança, e se esconder da própria miséria que nos rodeia em castelos de areia tão frágeis quanto a justiça social.
Fazer o quê, se creem nas mentiras contadas mesmo que as malas cheias de dinheiro e as denuncias digam o contrário.
Fazer o quê, se em nome de pagarem as dívidas criam novas para salvar suas peles e enchem os bolsos dos aliados deixando para o futuro o peso para os pobres pagarem.
Fazer o quê, se a canga apesar de pesada foi vestida e está suportada por todos.
Fazer o quê, se o que parece errado travestido de certo está pelos togados que julgam, mesmo que nosso entendimento seja contrário?
E fazer o quê, já que dizem que tudo é feito para a vida melhorar no futuro por vir.
E fazer o quê, se o que virá não for o que disseram que seria. 
O tempo não perdoa!





LOCALIZEI UMA CONSTITUIÇÃO NO LIXO!

Por Edwaldo Arantes

Fico pensando humildemente "cá com meus botões" se houve alguma mudança substancial e determinante no Código Penal e também no Código de Processo Penal. 
Rezam princípios cristalinos e fundamentais: "In dúbio pro reo", expressão latina que literalmente significa, na dúvida, a favor do réu. 
O princípio jurídico da Presunção da Inocência, que em caso de indecisão, hesitação, indeterminação, ambigüidade e confusão, gerando descrenças, favorece o réu. 
No mesmo diapasão era claro e notório que as provas devem ser robustas e incontestáveis, sua insuficiência favorece o réu, cabendo ao Autor de uma Ação provar os fatos constitutivos de seu direito. 
Caminhamos para o “Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa”, derivado da frase latina, “Audi alteram partem ou audiatur et altera pars”, que significa, “ouvir o outro lado” ou “deixar o outro lado ser ouvido bem”. 
Outra expressão que virou adágio popular, "Todos são iguais perante a Lei", dito hoje, totalmente em desuso e sem absolutamente quaisquer serventias ou utilidades. 
Vivemos mais que uma inversão e sim uma verdadeira subversão de valores e das garantias individuais, em absoluto desrespeito aos Direitos Fundamentais e, principalmente, um abuso e menosprezo pela nossa "Carta Magna". 
Tempos sombrios, densos, opacos e temerosos, com as instituições em decrepitudes, inoperâncias, despidas de créditos junto a sociedade. 
Hoje vivemos uma forma de governo onde exerce-se o poder sem respeitar a democracia, governando de acordo com suas vontades e com os grupos políticos que lhes pertencem e sustentem, em total desrespeito às leis, normas e condutas que norteiam a ordem democrática. 
Assustado, fui sacudido pela lembrança e, absolutamente sem querer, transportado aos nefastos e sangrentos "anos de chumbo", que imperava um governo déspota, com seu absolutismo, autocracia e tirania, onde um certo senhor, travestido de Chefe da Nação, vociferava: "eu prendo e arrebento", “prefiro cheiro de cavalo do que de povo” e outras barbaridades e imbecilidades. 
Portanto, LIBERDADE, “grau de independência legitimo que um cidadão, um povo ou uma nação elege como valor supremo e ideal. 


Edwaldo Arantes – ee.arantes@uol.com.br

DA ESTUPIDEZ HUMANA


Por Atílio Jose Rossi


O ser humano a cada dia se dá menos conta de sua finitude. Vive como se nunca fosse deixar este mundo.
Levado pela necessidade, sem sentido, de TER cada vez mais, criada pela força da propaganda através de todos meios de comunicação, deixa de lado valores fundamentais ao seu bem estar e de todos como: o amor, a solidariedade, a amizade verdadeira e duradoura, a busca do conhecimento que eleva o espírito, o reconhecimento das necessidade do outro e da sociedade como um todo, importantes à uma convivência pacífica.
Em razão da cultura pela acumulação de bens e riquezas, quase tudo prepara o indivíduo para um pragmatismo desenfreado na busca do ganho fácil, do lucro desmedido, do enriquecimento não importando os meios utilizados, criando uma disparidade na sociedade, notada sobremaneira pela concentração de renda.
Não percebe que com isso esta criando marginalidade, aparthaids, preconceitos, homofobias, coisas que levam à instabilidade social e em consequência à criminalidade, violência, insegurança e uma vida de angústia social da qual se torna a própria vítima.
Não entende que a vida passa  e de pouco adianta acumular riquezas, bens, quase sempre desnecesrios à felicidade uma vez que tem uma vida curta para se perder com coisas que na verdade vão ficar aqui na Terra. Vale aqui uma referência bíblica; "... demolirei os meus celeiros e os farei maiores e neles recolherei todos meus bens. E direi a minha alma: Ò alma tu tens muitos bens e depósito para largos anos, come bebe regala-te.  Mas Deus disse-lhe: Néscio, esta noite te virão demandar tua alma, e as coisas que juntastes, para quem servirão? (Lucas - 12  - 18 a 20)



                                 DA ESTUPIDEZ HUMANA
                         
Por Atílio Jose Rossi

O ser humano a cada dia se dá menos conta de sua finitude. Vive como se nunca fosse deixar este mundo.
Levado pela necessidade, sem sentido, de TER cada vez mais, criada pela força da propaganda através de todos meios de comunicação, deixa de lado valores fundamentais ao seu bem estar e de todos como: o amor, a solidariedade, a amizade verdadeira e duradoura, a busca do conhecimento que eleva o espírito, o reconhecimento das necessidade do outro e da sociedade como um todo, importan-
tes à uma convivência pacífica.
Em razão da cultura pela acumulação de bens e riquezas, quase tudo prepara o indivíduo para um
pragmatismo desenfreado na busca do ganho fácil, do lucro desmedido, do enriquecimento não im-
portando os meios utilizados, criando uma disparidade na sociedade, notada sobremaneira pela con-
centração de renda.
Não percebe que com isso esta criando marginalidade, aparthaids, preconceitos, homofobias, coisas
que levam à instabilidade social e em consequência à criminalidade, violência, insegurança e uma
vida de angústia social da qual se torna a própria vítima.
Não entende que a vida passa  e de pouco adianta acumular riquezas, bens, quase sempre desneces-
rios à felicidade uma vez que tem uma vida curta para se perder com coisas que na verdade vão ficar aqui na Terra. Vale aqui uma referência bíblica; "... demolirei os meus celeiros e os farei maiores e
neles recolherei todos meus bens. E direi a minha alma: Ò alma tu tens muitos bens e depósito para
largos anos, come bebe regala-te.  Mas Deus disse-lhe: Néscio, esta noite te virão demandar tua alma,
e as coisas que juntastes, para quem servirão? (Lucas - 12  - 18 a 20)








Cifra$, cifra$ e cifroe$.

Por David Ranieri

Cifra$ tão distantes do nosso alcance, entram no nosso cotidiano.
Em um único local, são 55 milhões em notas! Nem banco tem esta quantia toda reunida em seu cofre. Mas Geddel tem! Em depoimentos novamente cifras; seriam 300 milhões distribuídos de diversas formas à diversas pessoas e por interesses comuns.
Aqui pelas nossas bandas, faz um ano viemos a conhecer algumas das cifras que levaram secretários, funcionários e a prefeita para a prisão: 200 milhões! E não para ai, em volta da maior metrópole do hemisfério sul são 1,3 bilhões de desvio das obras do Rodoanel, número mais do que expressivo comparado aos já aqui citados. E não são poucos os casos existentes no passado e no presente envolvendo cifras enormes.
Prefeituras pequenas, médias e grandes, Estados, Autarquias, Empresas e também no Governo Federal.
Esquemas de ambulância, dos sangue-sugas, dos anões do orçamento, da pasta rosa, e tantos nomes promissores que aos poucos entraram para o livro dos contos brasileiros.
Quantos enriqueceram às custas da miséria do povo brasileiro, desviando recursos da saúde, da educação, do saneamento, da habitação e da segurança?
Cifras que enchem os olhos e ofendem a dignidade de milhões de brasileiros que sofrem nas filas da saúde, do desemprego, sem moradia, sem escola, e com péssimas condições de vida.
É tanto dinheiro que não há como somar o que já se desviou neste país em todos os esquemas descobertos. Quiçá o que não se sabe?
Deitado eternamente em berço esplêndido, ao som do mar e à luz do céu profundo, gozam a boa vida os beneficiados com a miséria de milhões.
Até quando?


Lula Livre

A maldade não só aprisionou sem luz em grades sedentas um homem. Aprisionou milhões de corações que no escurecer do cansaço o lamento se ...